_______________________________________________________
CÉU CIDADÃO
Já foi o tempo em que, para entrar no Céu, bastava respeitar os Dez Mandamentos e não cometer os Sete Pecados Capitais. Antes de tudo, é preciso saber que Deus não é um sujeito com cara de romano antigo, refestelado numa nuvem cercada de anjos, não. Hoje, sabe-se que Deus é tudo, desde a minhoca até a estrela, portanto você não vai ver Deus nenhum no Céu. Nem nuvem. São Pedro não estará lá esperando você, com barba comprida e chaves nas mãos, não.
Você apenas ouvirá uma voz:
- Fez tudo direito, fez o certo sempre?
Você pode até ganhar tempo, perguntando por exemplo:
- Mas o que é direito, num mundo onde a injustiça campeia porque a Justiça é lenta e a impunidade desestimula a virtude? E como saber o que é certo num tempo em que os valores foram tão alterados que...
- Ora – dirá a Voz – Todos sabem muito bem que o bem é tudo aquilo que você deseja para aqueles a quem quer bem, e o mal é tudo aquilo que você não quer para você. E fazer o certo é fazer não só o que mandam as leis, mas o que é bom não só para você mas para todos.
- Mas isso é praticamente impossível! – dirá você, e a Voz silenciará alguns momentos, deixando você pensar melhor.
Claro - pensará você - que todo mal é possível, mas todo bem também. Não existe impossível quando se trata de fazer o certo, pois basta não fazer o errado. Então a Voz perguntará:
- Você cuidou do próprio lixo?
- Eu nem sabia que isso era pecado!
É pecado mortal, dirá a Voz:
- Mortal para o planeta maravilhoso que vocês receberam e estão maltratando tanto. Você jogou lata pela janela do carro? Temos um purgatório especial para isso, e outro mais especial para quem joga esgoto em riacho.
Você poderá até se revoltar:
- Isso não dependeu de mim! Não fui governo, não tinha o dever de construir esgotos!
- Mas tinha o dever de participar da política, fiscalizando e exigindo transparência.
- Meu Deus, você parece um ecochato falando!
- Pois é – dirá a Voz ecoando em tua cabeça – É chato dizer isso, mas os pecados maiores passaram a ser omissão na ecologia e na cidadania. Não era para ser à toa que os humanos são os únicos no planeta com inteligência, sensibilidade e livre arbítrio. Vocês podem escolher, em vez de apenas obedecer aos instintos! Mas...
- Peraí! – você tentará uma cartada com coringa – Se todos fizessem apenas o bem o tempo todo, não seria livre arbítrio, não? Seria uma imposição natural! Temos de fazer o mal de vez em quando, até para comprovar o livre arbítrio! Portanto, não podemos ser penalizados por aquilo que é da nossa própria natureza!
- Bela tentativa – dirá a Voz calmamente – Mas é para os que fazem o mal que existe o inferno...
- Vou para o fogo então...
- Não!... – a Voz rirá – O fogo do inferno foi apagado há muito tempo, até para poupar energia. O inferno hoje é um lixão, onde os condenados catam a própria comida dentre os restos que desperdiçaram a vida toda. Para os fumantes há um setor especial, enfumaçado, com montanhas de bitucas e rios de cinzas. O inferno dos pedófilos é um asilo onde trabalham como enfermeiros dos velhinhos. E o inferno dos chatos é viver entre espelhos, vendo e conversando consigo mesmos.
- Meu Deus – dirá você – Como será meu inferno?
- Você não fez o mal, mas também não fez o bem. Ficará no purgatão, o purgatório da omissão, condenado a nada esperar porque nada fez por um mundo melhor. Vai, até aprender a ser cidadão!
- Fez tudo direito, fez o certo sempre?
Você pode até ganhar tempo, perguntando por exemplo:
- Mas o que é direito, num mundo onde a injustiça campeia porque a Justiça é lenta e a impunidade desestimula a virtude? E como saber o que é certo num tempo em que os valores foram tão alterados que...
- Ora – dirá a Voz – Todos sabem muito bem que o bem é tudo aquilo que você deseja para aqueles a quem quer bem, e o mal é tudo aquilo que você não quer para você. E fazer o certo é fazer não só o que mandam as leis, mas o que é bom não só para você mas para todos.
- Mas isso é praticamente impossível! – dirá você, e a Voz silenciará alguns momentos, deixando você pensar melhor.
Claro - pensará você - que todo mal é possível, mas todo bem também. Não existe impossível quando se trata de fazer o certo, pois basta não fazer o errado. Então a Voz perguntará:
- Você cuidou do próprio lixo?
- Eu nem sabia que isso era pecado!
É pecado mortal, dirá a Voz:
- Mortal para o planeta maravilhoso que vocês receberam e estão maltratando tanto. Você jogou lata pela janela do carro? Temos um purgatório especial para isso, e outro mais especial para quem joga esgoto em riacho.
Você poderá até se revoltar:
- Isso não dependeu de mim! Não fui governo, não tinha o dever de construir esgotos!
- Mas tinha o dever de participar da política, fiscalizando e exigindo transparência.
- Meu Deus, você parece um ecochato falando!
- Pois é – dirá a Voz ecoando em tua cabeça – É chato dizer isso, mas os pecados maiores passaram a ser omissão na ecologia e na cidadania. Não era para ser à toa que os humanos são os únicos no planeta com inteligência, sensibilidade e livre arbítrio. Vocês podem escolher, em vez de apenas obedecer aos instintos! Mas...
- Peraí! – você tentará uma cartada com coringa – Se todos fizessem apenas o bem o tempo todo, não seria livre arbítrio, não? Seria uma imposição natural! Temos de fazer o mal de vez em quando, até para comprovar o livre arbítrio! Portanto, não podemos ser penalizados por aquilo que é da nossa própria natureza!
- Bela tentativa – dirá a Voz calmamente – Mas é para os que fazem o mal que existe o inferno...
- Vou para o fogo então...
- Não!... – a Voz rirá – O fogo do inferno foi apagado há muito tempo, até para poupar energia. O inferno hoje é um lixão, onde os condenados catam a própria comida dentre os restos que desperdiçaram a vida toda. Para os fumantes há um setor especial, enfumaçado, com montanhas de bitucas e rios de cinzas. O inferno dos pedófilos é um asilo onde trabalham como enfermeiros dos velhinhos. E o inferno dos chatos é viver entre espelhos, vendo e conversando consigo mesmos.
- Meu Deus – dirá você – Como será meu inferno?
- Você não fez o mal, mas também não fez o bem. Ficará no purgatão, o purgatório da omissão, condenado a nada esperar porque nada fez por um mundo melhor. Vai, até aprender a ser cidadão!
Nenhum comentário:
Postar um comentário