domingo, 3 de maio de 2009

CULTURAS


Esse é um tema que há horas quero escrever sobre, mas fico sempre com preguiça porque sei que vou acabar me estendendo por linhas e linhas... afinal, dá muito pano para a manga.
Sugestão da minha amiga Bimbolina, já começa com uma questão: temos condições de julgar outras culturas?
O assunto veio à tona a partir de uma visita rápida ao sítio Hakani onde essa questão está nos holofotes. Temos condições de dizer o que é certo ou errado em outras culturas? Temos o direito (ou dever) de intervir em práticas culturais consagradas porque nos soam esquisitas ou erradas? Minha humilde opinião é: depende.

Cada cultura, ou cada comunidade é como um ecossistema em equilíbrio, tudo está interligado e as práticas, por mais estranhas que sejam, quase sempre tem uma razão de ser. Mas atenção, estou falando de práticas aceitas pela sociedade como um todo e não apenas por uma parte dela. Um exemplo condenável? A infibulação (mais conhecida como Mutilação Genital Feminina – MGF), praticada em mais de 20 países do continente africano entre eles Senegal, Egito e Indonésia. Esta prática está calcada sobre conceitos machistas, onde apenas uma parte da população (a masculina) está de acordo, logo, não posso concordar.

Agora um exemplo de prática estranha porém inofensiva; o xale das muçulmanas.
Costumava me perguntar porque as mulheres se submetiam a aquela prática de andar sempre com um véu cobrindo os cabelos (em alguns lugares o corpo todo, mas aí a conversa é outra). Achava aquilo extremamente desagradável e esquisito, não conseguia entender, até que perguntei a uma delas, e a resposta foi desconcertante: “eu adoro!”

Agora o caso dos índios, o mais controverso.
Como eu disse antes, cada cultura tem o seu equilíbrio e nesse caso específico, sugiro olharmos com atenção para a própria natureza. As aves, por exemplo, (posso usar como exemplo as curruíras que fizeram ninho aqui no pátio de casa) criam todos seus filhotes com o maior zelo e carinho até perceberem que um entre os demais não terá condições de crescer saudável. Seja por falta de comida, espaço no ninho, alguma deformação, enfim, por qualquer motivo que o impeça de se desenvolver sozinho, ele é automaticamente ‘ejetado’ do ninho. Sem a menor culpa ou remorso, a mamãe passarinha deve pensar “meu filhote sofrerá muito se atingir a vida adulta sem plenas condições, vou poupá-lo disso”. Essa é a lei da selva, a lei do mais forte.

Nós estranhamos essa atitude, afinal temos todas as condições de cuidar de alguém (um filho mais ainda) até o final da nossa vida, colocando-o em uma escola especial, ministrando remédios, proporcionando cuidados médicos, enfim... jamais poderíamos cogitar ‘jogar alguém pra fora do ninho’! Nunca.

Os índios não. Para eles a independência de um filho (ou um membro, na visão do grupo) é de suma importância, ultrapassando inclusive os laços que unem pais e filhos. Desumanos? Cruéis?? Nada disso. A organização social das tribos não tem lugar para pessoas incapacitadas e dependentes, os pais não podem se dedicar a um filho por muito tempo, a roda precisa girar, a fila anda! Uma criança que não aprende nem se desenvolve como os outros, numa tribo, sofreria terrivelmente, afinal não há lugar para ela neste contexto. É a mesma coisa que o passarinho fraco, a sua ruína seria uma questão de tempo... nesta etapa da vida a morte é, neste caso, uma demonstração de amor e respeito.
Dá para entender, dá para respeitar.
Minha humilde opinião.

Um comentário:

  1. sandrixxx claro que entendo que há hábitos, costumes, valores, etc etc diferentes entre tribos, sociedades etc etc mas enterrar a pobre indiazinha viva pra mim é o fim! E o fato dela ter se desenvolvido mostra como o que faltou foi a estrutura familiar a esta criança...e outra, não somos animais irracionais como os pássaros, gatos, etc que usam apenas instinto...o instinto materno humano é diferente, daria sua vida pelo filho e não o enterraria vivo...sei lá...no mínimo polêmico!! :(

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