Parafraseando Borges, se pudesse voltar atrás faria muita coisa diferente, ou pelo menos faria as mesmas coisas de forma diferente. Acho que todo mundo já teve essa sensação em algum momento da vida ao olhar pra trás e analisar criticamente as suas atitudes. Eu faço isso de vez em quando, mesmo sem pensar, e é bom saber que nesse meio tempo eu não apenas mudei ou cresci: eu evoluí. O contexto muda, e com ele as pessoas, ou quem sabe o contexto mude a partir das nossas mudanças internas, enfim, o fato é que a cada minuto vivemos uma nova realidade e respondemos a ela de acordo com a nossa visão de mundo naquele momento (idade, local, momento da vida, etc) e não adianta querer mudar, isso é uma lei.
Assim eu me lembro das minhas aulas de filosofia no colégio.
Odiava-as. Naquele período ia para a sala de aula como um prisioneiro que retorna da condicional, por completa obrigação. Só de pensar em estudar a matéria me dava um desânimo monumental e dentro de sala de aula prestava o mínimo de atenção necessária para saber do que a aula se tratava.
Hoje olho para trás e me arrependo um bocado.
Se tivesse a mesma oportunidade atualmente prestaria muito mais atenção, participaria ativamente das aulas e teria muito mais perguntas - resultado da minha leitura tardia.
Me arrependo mas não me culpo. Quem sabe naquele momento eu estava em outra sintonia, ou quem sabe o professor também não ajudava a deixar uma matéria tão complexa e subjetiva interessante para uma turma de adolescentes, sabe-se lá quantas coisas não conspiraram para que o desfecho fosse esse.
Assim acontece em todas áreas, não procuro um culpado para poder apontar o dedo e me livrar de qualquer responsabilidade, não busco alguém ou alguma coisa para quem eu possa transferir toda minha frustração e raiva e assim mascarar o meu sofrimento, procuro avaliar criticamente o que passou, entender o que aconteceu (quando é possível) e conviver com o resultado das minhas escolhas. O exemplo da disciplina de filosofia foi bobo se comparado aos arrependimentos a que somos acometidos ao longo de uma vida, mas vale o mesmo critério para o alívio: compreensão e perdão.
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