quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A esquiva

Parece que o velho chavão “não estamos preparados para a morte” ainda segue reinando nas paradas. E com razão, afinal está muito certo! Na verdade não estamos preparados para um monte de situações que enfrentamos diariamente enquanto estamos vivos, como um assalto, reclamação de cliente, intestino preso, um ímpeto irreversível de roer unha, etc... Estamos sempre nos deparando com coisas novas e inesperadas a cada minuto, e muitas delas um tanto quanto desagradáveis. Mas e aí? Fazer o que senão enfrentá-las? Ahá! Aqui está o ponto xis da questão.

Podem alguns achar que não, mas diante dessas ‘belas’ surpresas que a vida oferece podemos ter duas posturas bem distintas e é esta postura que vai determinar como será a nossa reação nas próximas vezes em que nosso anjo da guarda for dar uma volta e nos depararmos diante das mesmas situações.

Então, estourou a bomba! Nós podemos olhar pro lado e fingir que não é conosco, simplesmente dar uma de avestruz, enterrar a cabeça na laje e esperar o efeito devastador passar. Depois de levantar a cabeça resta se resignar com o que sobrou entre os escombros afinal, nos eximimos de qualquer ação, nada mais justo que se conformar com as migalhas.
Reconheço que a opção da avestruz é tentadora... dependendo do tamanho da bronca a vontade é não só enfiar a cabeça no buraco, mas o corpo inteiro e sumir de cena, cair lá no Japão, bem longe! Só que sinto informar, mas essa opção é a pior.

Tem a segunda opção, que é dureza! É olhar nos olhos do touro enraivecido, é jogar água oxigenada na ferida, enfim, é olhar pra bola na cobrança do pênalti. Bem diferente da avestruz, aqui o sujeito tem que matar a bomba no peito. Vai sair chamuscado? Vai. Algumas escoriações? Sim. Mas sabe quando ele vai ter aquele medo novamente? Nunca mais. A pele fininha vira casca, o que era frágil fica forte e assim vamos montando nossa caixa de ferramentas para enfrentar os reveses da vida. E a dona avestruz onde anda? Tá lá, cada vez com mais medo de tudo.

Pois é, já dizia Paula Toller que muitas coisas que precisamos saber não nos ensinam na escola. No entanto tem uma coisinha que eles podiam ensinar que facilitaria nossa vida um montão, que é não fugir das nossas responsabilidades.

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