domingo, 15 de fevereiro de 2009

Dormência dos sentidos

Eu não quero me acostumar.
Eu não quero me acostumar com a pobreza e a miséria. Não quero achar banal gente dormindo debaixo da ponte e mendigando nas sinaleiras.
Não quero achar normal a quantidade de lixo gerada e acumulada diariamente no planeta.
Não quero fechar os olhos para a destruição da natureza; da flora e da fauna, como é tão fácil de se fazer.
Não quero esquecer as barbaridades que políticos fizeram, estão fazendo e farão sempre enquanto se mantiver o sistema corrupto que vigora nesse país.
Não quero tentar entender os crimes bárbaros, contra crianças, velhos e animais – segmentos absolutamente indefesos e que por isso mesmo acabam sendo os alvos principais de covardes sem escrúpulos e sem alma.

O costume é o amortecimento dos sentidos.
Eu vou sofrer, todos os dias, mas não vou me anestesiar. Não quero ser mais uma morta-viva, que assiste todos os dias o telejornal, profere meia dúzia de palavrões e no dia seguinte está lá, repetindo tudo o que condenou horas antes.
Também não quero me eximir da culpa, atribuindo tudo aos outros como se separar o lixo me tornasse uma cidadã modelo... grande bosta! Eu uso carro, eu sou consumidora, eu deixo a minha pegada ecológica – e isso me faz culpada também.

Chega de discurso e chega de indiferença; chega de extremos. Não precisamos mover multidões, não é se mudando para uma montanha e deixando de comer que faremos alguma diferença. É a conscientização e o exemplo pessoal de cada um de nós que pode começar a mudar o rumo dessa prosa. Um pouquinho de cada vez, a sua parte pode parecer pouco mas não é, é suficiente, é exatamente o que precisamos.

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